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Texto por Giuliana Mesquita

O Brasil vem abrindo espaço, avançando em debates sobre gênero, raça e sexualidade. Estamos iniciando discussões que antes eram segredos trancados a sete chaves. 

Nosso país ocupa o topo da triste lista dos países que mais matam as travestis e as mulheres transexuais no mundo. Além disso, não existem dados oficiais sobre homens trans. Nesse contexto, a moda e a arte, quando ocupadas pela comunidade trans e por suas estéticas, podem ser TRANSformadoras.
"Não me falta coragem de ser quantas eu quiser" 
Wallace Ruy, atriz
No início de 2017, foi inaugurada a Casa 1, espaço de acolhimento a jovens da comunidade LGBTI+ que foram expulsos de casa pelas suas famílias, idealizado por Iran Giusti. Lá, a moda é vista como uma forma de expressão pessoal e artística, onde acontecem desfiles e workshops de capacitação no setor. 

Também em fevereiro de 2017, a modelo brasileira Valentina Sampaio foi a primeira mulher transsexual a ser capa da Vogue Paris, alguns meses após estampar capa e editorial da Elle Brasil e de ser uma das estrelas da coleção Flygrl, da Melissa. 
"Eu briguei com o espelho durante um bom tempo da minha vida. Até me conhecer" 
Marcela Thomé, modelo
Na esteira da Valents, aos 21 anos a linda Marcela Thomé se destacou nas passarelas de uma importante marca de moda praia da carioca Lenny Niemeyer em agosto de 2017. Alexandre Herchcovitch, tanto na sua marca homônima como na À La Garçonne, trata as questões de gênero com cuidado e leveza desde o início de sua carreira. 
 
Os tempos vêm mudando. Uma dessas mudanças inclui a agência Squad, que escala modelos fora dos padrões vigentes. Alina Dörzbacher é um desses nomes. Vinda de Rio Brilhante, no Mato Grosso, ela veio a São Paulo procurar a felicidade - e achou. 
“O meu olhar sobre o mundo é profundamente verdadeiro. Aprendi a ser feliz para me manter viva”
Alina Dörzbacher, modelo
Renata Bastos é performer e um dos nomes míticos da noite paulistana. De dia atua como assessora de imprensa, mostrando que dá sim para transitar entre mundos distintos. Por sua vez, a atriz do Teatro Oficina Wallace Ruy brilha também nas telas do seriado “Me Chama de Bruna”, que narra a vida de Bruna Surfistinha. 
"Eu sou o desejo de mim mesma, a vontade de existir, de amar, de ser vista e respeitada" 
Renata Bastos, performer
Em 2018, ela estreia na minissérie “Toda Forma de Amor”, do Canal Brasil.

Gael Badaró também foi descoberto pela Squad enquanto ainda seguia a carreira de produtor de publicidade, pegou o boom da visibilidade trans na moda e emplacou várias campanhas. 
"Acho extremamente importante ter o conhecimento de que somos todos iguais" 
Gael Badaró, ator e modelo
Os tempos não são mais os mesmos. As pessoas Trans estão ocupando cada vez mais a moda e a arte promovendo Trans-formações necessárias. A comunidade traz novas referências e estéticas renovando o cenário criativo do Brasil. 

E isso é apenas o começo de uma mudança muito maior. Afinal, a população Trans não é feita de estrelas isoladas, quando existem oportunidades, podem se tornar constelações diversas. 

Fotos por Vivi Bacco.