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Denise Gonçalves é designer. Na família, ela encontrou o combustível para usar a moda para expressar um propósito: o que serviu de dor no passado, acabou motivando o desenvolvimento de uma coleção de peças funcionais.

A inspiração tem origem nas memórias com o falecido irmão Ivan,  cadeirante e dono de um estilo único que carregava em camisas estampadas e coloridas. Como eles tinham dificuldade em encontrar peças apropriadas, ficava para a mãe a tarefa de comprar tecidos e confeccionar as roupas.

Assim nasceu a coleção chamada Inclua essa concepção. Com o objetivo de atender as necessidades de pessoas deficientes, ela mesclou modelagens adaptadas e estampas exclusivas. Para facilitar não apenas a vida dessas pessoas, como de qualquer outro consumidor.
"Inclusão é agregar e não segmentar." 
Ela produziu um editorial cheio de Melissas, que traduz a beleza dessa ideia. "A Melissa é uma marca que quebra os tabus e trata de temas sobre outros estereótipos, sendo magnífico para a moda inclusiva."

Ela conversou com a gente sobre a importância dessa representatividade.
 
1. Quais foram os desafios encontrados no seu processo de criação?
 
Alguns tipos de modelagens para moda inclusiva realmente não são trabalhadas da mesma forma que modelagem comum. Porém a maioria das modelagens são comuns, até porque esse é um dos conceitos que usei: fazer roupas para pessoas com deficiência, mas que possam e sejam usadas por pessoas que não tem deficiência.
 
2. Você pretende ampliar futuramente a coleção? Continuar explorando a acessibilidade e inclusão na moda?
 
Esse é o meu verdadeiro sonho. Pretendo patentear o projeto e começar a criar algumas peças, sempre focando na moda inclusiva. Afinal, esse tema é extremamente importante e precisa ganhar seu devido espaço no mercado.

3. Como você enxerga o momento da moda atualmente para essa questão de inclusão especificamente?
 
A moda vem quebrando estereótipos e barreiras, mas a moda inclusiva ainda não ganhou o seu devido espaço. Eu acredito que a indústria da moda precisa começar a enxergar a moda inclusiva como um mercado consumidor e as pessoas com deficiência como profissionais.
4. Por que representatividade importa?
 
Estamos falando de cerca de 45,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência no país. Pessoas que consomem mais do que cadeiras de rodas, muletas, andadores, etc. Pessoas que são vaidosas, mas que encontram dificuldade em comprar peças que se adequem ao corpo ou que as valorizem. Quando compram algo, são obrigadas a fazer ajustes por conta própria – o que acaba afetando a autoestima, por acreditarem não se encaixar neste mercado. 

A Heloisa Rocha, jornalista e criadora do Instablog Moda Em Rodas, por exemplo, tenta quebrar esse padrão estabelecido. Mas, mesmo usando peças do mercado comum, ela confessa ter dificuldade para se vestir e acredita que alguns ajustes nesse sentido já seriam de grande ajuda para esta população que, em termos gerais, é esquecida.
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Créditos

Modelos: Leticia Guilherme, Viviane Alvarez e Heloisa Rocha 
Fotografia: Paula de Lira