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A busca por inspirações dá a cara de Melissa Makers esse ano. Nessa investigação coletiva, fizemos uma imersão criativa em Curitiba que passou pelo Subtropikal - um festival que levou ao palco da Ópera de Arame uma mistura sonora entre Salvador e a capital paranaense.
 
BaianaSystem representa um movimento constante de diferentes referências estéticas - do som das ruas do interior baiano à cena independente jamaicana. Mulamba é o encontro entre poesia, rock e música erudita, um grupo de mulheres que ecoa um grito de vozes silenciadas. Em comum, compartilham a tradução do que acontece em suas cidades em som, protesto e arte.
 
Depois de se apresentarem no mesmo palco, as bandas compartilham aqui o mesmo espaço, contando um pouco como é a relação criativa de cada uma com o que acontece em Salvador e Curitiba.
Como funciona o processo criativo de vocês?

BaianaSystem: Eu (Russo Passapusso) vejo a banda como um quebra cabeça, somos peças diferentes com influências diferentes. Com todo experimentalismo, aprendemos a não definir um formato quando nos misturamos. Se esse formato cristaliza, logo queremos fazer uma versão daquilo que se concretizou. Percebemos muitas escolas nas nossas contribuições: a música tradicional do interior da Bahia, as novidades rítmicas e estéticas da música atual, a guitarra baiana e os timbres sintéticos, a percussão orgânica e os beats eletrônicos são exemplos que ao longo da caminhada percebemos que se encaixam. O importante é ter um conceito de proteção, um bom ambiente preparado pra conduzir sem banalizar o tradicional.

Mulamba: O processo criativo basicamente tem como ponto de partida as composições da Cacau e da Amanda. Elas trazem para a banda o que estão desenvolvendo e a gente trabalha em cima disso, compondo as demais linhas para cada música. É uma troca muito positiva e abrangente, porque as referências que cada uma traz englobam estilos diferentes. Aprendemos juntas a ouvir mais com a troca de referências e principalmente a nos ouvir mais. Com as sugestões musicais de cada uma, conseguimos entender como a sua essência pode se encaixar no nosso som e aí entramos num processo enriquecedor de composição e troca.
“Sentimos que há uma movimentação de união acontecendo, mas entendemos que é um processo e isso demanda tempo. A junção de públicos é essencial pra manter, reverberar e potencializar projetos.”
De que modo vocês sentem que a cidade molda as suas criações?

Baiana: Salvador tem um ar antropofágico e respiramos isso. É uma relação de amor e ódio com os defeitos e as qualidades estridentes da nossa terra. Não tem como tapar os ouvidos pro som, nem fechar os olhos pras cores. A energia nos atravessa de uma forma espiritual. Mesmo que você não perceba, está tomando um banho de energia, é isso que eu sinto aqui e sei que músicos como LourimbauBule buleAntónio Carlos e JocafiMargareth MenezesRiachãoIFÁVandalLivia Nery e vários outros tem dentro de DNA da sua música traços fortes dessa magia.
 
Mulamba: Curitiba diz muito sobre o que queremos falar, que são mundos "desconhecidos". É uma cidade bem vista por muita gente, mas é uma cidade que esconde muitos de seus problemas, que afasta e ignora. Isso também acontece em outros lugares, mas aqui, por exemplo, não se vê uma favela ao lado do bairro Batel, um dos mais nobres de Curitiba. Talvez isso influencie de maneira subjetiva, porque nos incentiva a falar sobre o que vai além da imagem construída de “cidade modelo”, o que consideramos um deslocamento da realidade. Então, abordamos questões sociais que vão desde a violência contra a mulher, como é o caso de “P.U.T.A”, até o descaso com pessoas deixadas às margens, como em “Vila Vintém”. Projetos como Machete BombHorrorosas Desprezíveis, Darlene LePetitTrombone de FrutasTuyo e Lemoskine são algumas referências com uma carga criativa muito interessante, cada um com uma proposta que gera inspirações diferentes.
Quais vocês acham que são os desafios e obstáculos locais pra quem trabalha com arte? 

Baiana: Os desafios de uma capital mutante que tem fortes vícios e lembranças do coronelismo e permanece dando voltas em círculo na tentativa de nos deixar tontos no meio de tantos artifícios comerciais sazonais. Viver de arte sempre foi uma luta difícil e às vezes gratificante do corpo com alma, da cidade com o povo. Influências políticas, necessidades sociais, ao meu ver tudo está muito interligado.
 
Mulamba: Temos presenciado muitas ações equivocadas de repressão à arte e tentativas de silenciamento em Curitiba, mas, em contrapartida, existe um movimento que resiste em prol da cultura e da liberdade de expressão. Sentimos que há uma movimentação de união acontecendo, mas entendemos que é um processo e isso demanda tempo. Pra ultrapassar esses desafios, precisamos pensar de maneira conjunta, considerando lugares e não só música como apresentação de arte. A junção de públicos é essencial pra manter, reverberar e potencializar projetos.

Esse é um conteúdo produzido pelo projeto Melissa Makers, que conecta a marca com pessoas de diferentes regiões do país. Para ler outras histórias, clique aqui.

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