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Texto por André do Val*

A parceria da Melissa para o desfile da Comme des Garçons Homme, com um tênis baixo de desenho esportivo que acaba de ser apresentado em Paris, é especial em vários sentidos. Primeiramente, por ser o primeiro modelo de calçado da marca brasileira 100% pensado para o público masculino. Depois por que algumas exceções à afirmação acima ajudam a fazer um paralelo com a trajetória da própria Rei Kawakubo, e o debate que a estilista japonesa propõe há quase 50 anos sobre as definições de gênero e suas muitas nuances. 
Comme des Garçons transita em todos os espectros entre as definições de masculino ou feminino.
É verdade que Melissa já havia lançado anteriormente alguns modelos unissex, que ganharam numerações maiores para atender também a demanda de meninos que se identificam com a marca. Prioritariamente feminina, afinal nasceu e se estabeleceu assim, vem aos poucos expandindo a atuação no segmento masculino. O primeiro modelo a ter grade estendida foi o Melissa Flox, em 2015. 
 
Seguiram esta proposta os modelos Beach Slide e Classic Brogue, da linha própria, e também em algumas colaborações, como a com Baja East (nos modelos Desert Boot e Beach Slide) e com Vivienne Westwood, que lançou no desfile em Paris o Brighton Sneaker, em setembro de 2017. Na mesma temporada, Comme des Garçons lançou sua primeira parceria com Melissa, um modelo feminino também desfilado na capital francesa. 
 
“Comme des Garçons is a gift to oneself, not something to appeal or to attract the opposite sex.” – Vogue, 1995
 
Seu nome significa: “como os garotos”, em francês, e assim, com sua elegância silenciosa, questiona desde sua fundação em 1969 as representações das formas femininas na moda. Para isso, seu exercício como designer vem sendo redesenhar o corpo humano com enchimentos, resignificar roupas e seus elementos e propor um olhar inédito acerca de cores e estampas. Quando diz vestir mulheres como garotos, não se trata de se submeter ao patriarcado. Pelo contrário: Comme des Garçons transita em todos os espectros entre as definições de masculino ou feminino.
 
A coleção masculina propriamente dita veio quase 10 anos depois, pegando carona na projeção internacional que a linha original havia alcançado. Na virada para os anos 1980, já na França, se tornou símbolo de uma moda intelectualizada, acadêmica e experimental. Alcançou status de modernidade e vanguarda com looks predominantemente pretos e com tecidos puídos, costuras inacabadas e proporções assimétricas.
 
Sua estética que fugia das convenções de bom-gosto, abusando da liberdade de formas, como calças amplas e ombros derrubados, serviu como um contraponto ao padrão vigente da moda da década, os yuppies, que vestia tanto homens quanto mulheres com uma versão exagerada do que seria o ideal do corpo masculino e seus emblemas de poder (ombreiras largas e fálicas gravatas). Criando assim uma legião de “corvos” como eram conhecidos informalmente seus seguidores, trazendo à tona conceitos relevantes, como o unissex, que hoje convencionou-se chamar de agênero. 
 
Na passarela, pode ser vista severa ou até mesmo surreal. Na prática, é ramificada em várias linhas comerciais, incluindo as de moda masculina ou unissex, como tricô e camisaria, passando pela casual Comme des Garçons Play, sua linha de maior difusão, e até um licenciamento com os Beatles. Na moda masculina, destaca-se principalmente fragrâncias não convencionais e acessórios, como a famosa carteira com zíper, que além da praticidade oferece o tratamento artesanal que é característica essencial de sua obra. É também mestre em colaborações especiais, de gigantes de fast-fashion a ícones do streetwear. 
 
Esta parceria de Melissa, portanto, merece citações em vários capítulos da linha do tempo da moda: brasileira, masculina ou internacional. Os modelos, em versão preta ou branca, são peças-únicas, desenvolvidas exclusivamente para o desfile e sem previsão de comercialização. São, porém, o reconhecimento de que o mercado já é mais plural. E um aceno para esta parcela de seu público que também usa a moda para se comunicar com o mundo, seja como Melissa ou “Comme des Garçons”.

* André é jornalista de moda masculina

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